ainda despida, acendeu um cigarro e foi para junto da janela. abriu-a para deixar o ar fresco da manhã entrar no quarto. fumar foi um hábito que ganhou nos últimos anos. ficou a vê-lo deitado, cansado, nu. gostou de o ver assim. olhavam-se na distância de um quarto. ambos despidos de roupa e de vergonha. ambos vazios de passado. vestidos de vontade. olharam-se e envolveram-se num abraço sem que se tocassem. ela na janela. ele sobre os lençóis amarrotados e cansados da noite. os copos e a garrafa vazios, pousados num canto, eram a prova do que ali se havia passado. riram-se como se aquilo tivesse sido um erro do qual não se conseguiram arrepender. ficaram assim durante muito tempo. o quarto testemunhou os corpos, o cheiro a tabaco e sexo, a manhã e o cansaço. os lençóis, esses, prometeram guardar segredo.
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